Podemos observar que a reflexão do significado e sentidos dos estudos sobre a administração remete a problemas interessantes e marcantes que mostram a dificuldade de separar uma produção historiográfica do tempo no qual ocorreu.
O ressentimento do período pós-colonial deixou o caminho para que os historiadores pudessem traçar suas hipóteses e também preenchessem lacunas quem pareciam óbvias.
De acordo com Souza (2006), Raymundo Faoro é um dos autores que tem um papel muito importante na interpretação sobre o Brasil, onde ele ressalta o papel central do Estado no processo de constituição do país e sua grande capacidade de modelar uma criatura, ou seja, o estamento burocrático, em que a ordem dominante era produzida sem haver uma alteração da sua essência. Em seu livro, Os donos do poder, o que o autor escreveu tornou-se ponto de referência durante décadas para a administração colonial, pois assim era possível acontecer um certo equilíbrio entre a demonstração empírica e a análise. Segundo ele havia um Estado que centralizou-se muito cedo e soube cooptar as elites, inclusive as locais e isso facilitou para que o sistema administrativo português fosse transportado com sucesso para as colônias. Nessa mesma época, os funcionários tornaram-se simplesmente sombras, sobrepondo assim a realidade local.
Segundo a autora, Faoro baseava-se no livro de Gilberto Freyre em Casa-grande & senzala (1933), pois retratava sobre a família que marcava a colonização desde o início e orientava toda a formação as sociedade. Sendo assim, ele conseguiu fornecer uma alternativa aprofundada para a compreensão do Brasil e de suas elites, mas exagerou o papel do Estado. Desse modo, a realidade era gerada pela lei e pelo regulamento, ou seja, para ele “ a América seria um reino a se moldar, na forma dos padrões ultramarinos, não um mundo a criar” (p. 33). Seu livro procurava mostrar de modo exaustivo a presença secular de um Estado sufocador e de um estamento burocrático que se deslocava da sociedade para gerir o governo em benefício próprio, contrariando as necessidades nacionais. Faoro também baseava-se em uma idéia de Oliveira Viana (1920), que nos diz que a administração não foi como a da América inglesa, uma criação dos indivíduos, nem havia emanado da própria sociedade, mas impuseram ela como “ma espécie de carapuça disforme”. O autor ainda utilizou um pensamento liberal português do fim do século XIX e início do século XX, representado pó Oliveira Martins, Antero Quental e Antônio Sérgio, em que o seu pessimismo inerente à visão dos autores o impediu muitas vezes de perceber especificidades próprias à história de Portugal e de seu império, fazendo prevalecer a perspectiva liberal, portanto algo que não é estranho é o anticlerismo, a identificação mecânica entre força da Igreja e atraso e, no outro pólo, a valorização permanente, nas comparações da América inglesa e da Inglaterra.
Percebe-se que neste pondo os autores Raymundo Faoro e Caio Prado Jr., marxista, se aproximaram bastante apesar de quase todo o tempo divergirem o resto de suas perspectivas acerca da administração.
Segundo Souza, Caio Prado Jr. Nos diz que a administração portuguesa era irracional, contraditória e rotineira, sem esquecer de ressaltar “a complexidade dos órgãos, a confusão de funções e competência; a ausência de método e clareza na confecção das leis”.(p. 35). Para ele, o funcionalismo era inútil e numeroso, os órgãos centrais pareciam ser extremamente burocráticos, sem haver agentes que bastassem para executarem as decisões. Ele diz ainda que o centralismo excessivo não tinha sentido, pois Lisboa ficava bem distante. Caio via a administração daquela época bem desorganizada, de forma que sempre havia confusão e sempre se atrapalhavam na hora de serem tomadas decisões importantes. Ele ainda critica o Estado português por não ter obtido a capacidade de criar algo original na administração da colônia. Segundo Caio, houve um único momento no qual o Estado português procurou sair da rotina, e esse momento foi o fisco. Para ele, a colonização portuguesa não visava exclusivamente criar uma sociedade original na América, mas sim explorar ao máximo a colônia, tentando assim criar um novo Portugal.
Sendo assim, percebe-se que os autores divergem em certas opiniões e podemos observar que todas as suas colocações tem um fundamento e devemos analisar a lógica da existência de cada fato citado pelos mesmos, devemos ter um olhar crítico, um olhar de historiador, para assim definirmos qual será a verdade absorvida.
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