sexta-feira, 30 de julho de 2010

FORMAÇÃO DAS ALMAS

(José Murilo de Cravalho)



O livro A Formação das Almas, de José Murilo de Carvalho é um livro com uma temática interessante, onde o autor nos envolve de uma forma que parece que estamos vivenciando o contexto citado no livro. Momento esse de transição e de legitimação do poder no Brasil, com a implantação do regime.
Carvalho nos mostra um pouco dos modelos políticos e filosóficos que eram base da implantação da República. Ele faz um imaginário da República, onde ele faz um complemento do livro Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a República que não foi. Nesse livro, o autor faz uma investigação das disputas existentes naquele cenário da República, baseado em três correntes: a liberal, que defendia que o Estado não deveria interferir, e tinha o apoio dos federalistas e também dos proprietários rurais; a dos jacobinos, que defendiam que os cidadãos deveriam ter uma participação política e direta; e os positivistas, que defendiam um executivo forte e que fosse interventor, como um paternalismo governamental, era o grupo mais aceito na sociedade, principalmente pelas camadas médias urbanas e os setores militares.


No livro é possível observar a presença de símbolos, heróis, hinos, bandeiras e mitos, que são elementos que pretendiam formar almas e construir seres modelados de acordo com os interesses do grupo dominante. Esses elementos que são utilizados, são originários da necessidade que os republicanos tinham de conquistar a legitimação de uma população que não teve direito à educação, não teve oportunidades de terminar os estudos, e sendo assim não teria um melhor entendimento das idéias, que muitas vezes se encontravam em livros ou discursos rebuscados. Havia uma necessidade de algo com fácil compreensão.
De acordo com Carvalho, o instrumento mais utilizado de legitimação do regime político é a ideologia. Deste modo, pode-se dizer que o imaginário da República difundido pelos positivistas não tem penetração popular, não apenas por ausência de uma comunidade de sentido, como defende o autor de 'A formação das almas, mas, também, porque para esses setores populares a República em si pouco representou, uma vez que não foram agentes ativos do processo. Não poderia ser de outro modo: a criação, as lutas pela consolidação e o próprio alcance do imaginário republicano, ficaram restritos a seus participantes. O amálgama desejado, a ser obtido com o imaginário republicano, capaz de unir Nação e Estado, não se verificou, graças à distancia deste último para a realidade popular.
Ou seja, para José Murilo, a despeito da ironia da frase acima, o Estado deve reconstruir o corpo de seu povo, a Nação. Quando se fala em reconstruir pressupõe-se que algo existia antes; o Estado deverá reconstruir uma nação esquartejada pela República - aí é possível notar a opção política monarquista, abertamente defendida pelo autor em 1993, na ocasião do plebiscito sobre o sistema de governo. Nesse sentido, José Murilo, apesar do brilhantismo com que consegue trabalhar e operacionalizar o conceitual proposto por Bazco, leva as teses deste às últimas conseqüências ao encarar o imaginário como um aglutinante da nação, porém feito a partir do estado, que é, para ambos, o local da política e do poder, por excelência.








O livro A Formação das Almas, de José Murilo de Carvalho é um livro com uma temática interessante, onde o autor nos envolve de uma forma que parece que estamos vivenciando o contexto citado no livro. Momento esse de transição e de legitimação do poder no Brasil, com a implantação do regime.



Carvalho nos mostra um pouco dos modelos políticos e filosóficos que eram base da implantação da República. Ele faz um imaginário da República, onde ele faz um complemento do livro Os Bestializados: O Rio de Janeiro e a República que não foi. Nesse livro, o autor faz uma investigação das disputas existentes naquele cenário da República, baseado em três correntes: a liberal, que defendia que o Estado não deveria interferir, e tinha o apoio dos federalistas e também dos proprietários rurais; a dos jacobinos, que defendiam que os cidadãos deveriam ter uma participação política e direta; e os positivistas, que defendiam um executivo forte e que fosse interventor, como um paternalismo governamental, era o grupo mais aceito na sociedade, principalmente pelas camadas médias urbanas e os setores militares.

No livro é possível observar a presença de símbolos, heróis, hinos, bandeiras e mitos, que são elementos que pretendiam formar almas e construir seres modelados de acordo com os interesses do grupo dominante. Esses elementos que são utilizados, são originários da necessidade que os republicanos tinham de conquistar a legitimação de uma população que não teve direito à educação, não teve oportunidades de terminar os estudos, e sendo assim não teria um melhor entendimento das idéias, que muitas vezes se encontravam em livros ou discursos rebuscados. Havia uma necessidade de algo com fácil compreensão.



De acordo com Carvalho, o instrumento mais utilizado de legitimação do regime político é a ideologia. Deste modo, pode-se dizer que o imaginário da República difundido pelos positivistas não tem penetração popular, não apenas por ausência de uma comunidade de sentido, como defende o autor de 'A formação das almas, mas, também, porque para esses setores populares a República em si pouco representou, uma vez que não foram agentes ativos do processo. Não poderia ser de outro modo: a criação, as lutas pela consolidação e o próprio alcance do imaginário republicano, ficaram restritos a seus participantes. O amálgama desejado, a ser obtido com o imaginário republicano, capaz de unir Nação e Estado, não se verificou, graças à distancia deste último para a realidade popular.



Ou seja, para José Murilo, a despeito da ironia da frase acima, o Estado deve reconstruir o corpo de seu povo, a Nação. Quando se fala em reconstruir pressupõe-se que algo existia antes; o Estado deverá reconstruir uma nação esquartejada pela República - aí é possível notar a opção política monarquista, abertamente defendida pelo autor em 1993, na ocasião do plebiscito sobre o sistema de governo. Nesse sentido, José Murilo, apesar do brilhantismo com que consegue trabalhar e operacionalizar o conceitual proposto por Bazco, leva as teses deste às últimas conseqüências ao encarar o imaginário como um aglutinante da nação, porém feito a partir do estado, que é, para ambos, o local da política e do poder, por excelência.

3 comentários:

  1. A formação das almas nos diz sobre o
    imaginário da República, nos fala sobre um choque na
    construção de imaginários e nos símbolos que também foram construídos no imaginário do povo.

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  2. Livro complexo mas, cheio de informações importantes sobre a República brasileira.

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  3. Muito bem lembrado! Com esse livro nós tivemos algumas das melhores aulas do nosso curso.

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